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Blog Prof. Carlos

Por que o profissional de Prevenção de Perdas não é reconhecido no Brasil

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O título do artigo por mais impactante que pareça ser, infelizmente reflete a realidade dos profissionais que trabalham com Prevenção de Perdas no Varejo brasileiro.

Em recente pesquisa realizada pela ABRAPPE – Associação Brasileira de Prevenção de Perdas, foi possível identificar que apenas 30% das profissionais reportam-se diretamente ao Presidente e grande parte desses, são gerentes ou coordenadores.

Ter um título de Diretor e fazer parte do Board da empresa é algo raro, é uma realidade de um grupo seleto de no máximo 10 empresas no país.

Outro diagnostico relevante diz respeito ao nível de entendimento por parte da Diretoria Executiva das empresas do papel que os profissionais devem desempenhar, a grande maioria entende um contexto mais operacional e com direcionamento a questões relacionadas a furto de produtos.

Por outro lado, falta ainda uma visão mais estratégica de uma camada bastante representativa de profissionais que ocupam posições de liderança nas empresas, o desnível de maturidade na gestão da área nas empresas ainda é bastante acentuado.

Bom, com base nessa constatação o que está sendo feito para mudar esse cenário? Posso garantir que muita coisa.

A iniciativa inédita de criação da ABRAPPE é o melhor exemplo disso, nunca a Prevenção de Perdas esteve tanto na mídia, vários foram os veículos de imprensa que cobriram o evento de lançamento da Associação e principalmente a divulgação da pesquisa, tivemos resultados fantásticos de mídia espontânea. E isso foi apenas o começo.

O evento em si, também foi de alto nível, Presidentes de importantes empresas estiveram presentes para debater a Prevenção de Perdas como o caminho mais rápido para o aumento da rentabilidade.

A disseminação da cultura nos estados também merece um destaque, a criação da CPAR (Comissões de Prevenção de Perdas, Auditora e Riscos) com o apoio das Associações Estaduais de Supermercados vem contribuindo na popularização do tema, o que era privilégio único e exclusivo das empresas de São Paulo, hoje varejistas de mais de 8 estados realizam encontros periódicos para discutir o tema.

Na área de educação, além dos cursos de duração que são oferecidos em todo Brasil por entidades de varejo e empresas de educação, Universidades e Escolas de Negócio começam a inserir o tema Prevenção de Perdas como disciplina para cursos de graduação, pós-graduação e MBA.

Recentemente, tive uma experiência fantástica que comprova esse interesse por parte das instituições de ensino, ministrei uma aula para o curso de MBA de Varejo da USP para um público de mais de 400 alunos em curso on-line além de aulas presenciais que costumo ministrar na FIA, ESPN e Dom Cabral.

E para fechar o artigo destaco o ponto de maior relevância, a cada dia os profissionais das grandes empresas começam a trazer para dentro do seu “Guarda-Chuva” de competências o que chamamos de a “Nova Visão Estratégica” onde o conceito da “Perda Ampliada” começa a fazer parte da agenda desses profissionais.

A “Nova Visão Estratégica” abre uma perspectiva mais abrangente de atuação do Profissional, trazendo para si uma visão de Riscos Estratégicos com um campo de atuação muito maior. Já e possível identificar as áreas de Prevenção de Perdas, Auditoria, Gestão de Riscos, Gestão de Estoques, Compliance, Controles Internos e Segurança em uma mesma estrutura. Esse movimento provoca a elevação do nível do profissional para um posicionamento mais independente e estratégico dentro da empresa, justificando a ocupação de uma cadeira de Diretoria como ocorre nas grandes empresas de supermercados.

O conceito da “Perda Ampliada” está trazendo benefícios financeiros diretos para as empresas, ao invés do profissional focar 100% do seu tempo nas perdas de estoque (Quebras Operacionais e Perdas não identificadas), também começa a ter protagonismo para outros tipos de perdas geradas nos processos internos, como a Ruptura que tem um impacto significativo na redução das vendas, Perdas administrativas através dos gastos não controlados de energia, agua, telefone, Perdas de Produtividade em razão da ineficiência e burocracia nos processos internos principalmente aqueles que são executados de forma rotineira, Perdas Legais em razão da exposição da empresa a possíveis autuações e condenações.

Todas essas perdas possuem causas, agentes e tratamentos diferentes, porem quando bem gerenciadas, tornam a empresa mais competitiva, contribuindo para o aumento das vendas e da lucratividade, e a Prevenção de Perdas a cada dia aumenta seu protagonismo nessas iniciativas se tornando ainda mais estratégica dentro das empresas.

Temos um caminho longo a trilhar, mas o trem já está no trilho, convido a todos a embarcarem com a gente nessa IDEOLOGIA.

Carlos Eduardo Santos

Executivo com mais de 20 anos de experiência no Varejo em Prevenção de Perdas, Auditoria, Gestão de Riscos, Segurança Empresarial, Compliance e Controles Internos;
Presidente da Comissão de Prevenção de Perdas, Auditoria e Gestão de Riscos (CPAR) da SBVC – Sociedade Brasileira do Varejo e Consumo;
Professor na Fundação do Instituto de Administração – FIA, PROVAR – Programa de Administração de Varejo e Fundação Dom Cabral;Autor do Livro : Manual de  Planejamento de Prevenção de  Perdas e Gestão de Riscos;
Co-Autor do Livro : Manual de Varejo no Brasil;
Foi Diretor e Executivo em grandes empresas varejistas como Walmart, Lojas Marisa e Lojas;
Autor do Livro : Manual de  Planejamento de Prevenção de  Perdas e Gestão de Riscos;
Criador do Portal Prevenir Perdas (www.prevenirperdas.com.br);
Graduação em Administração de Empresas e Ciências Jurídicas e MBA em Gestão de Riscos e Segurança Empresarial.Atualmente é Diretor de Prevenção de Perdas e Inovação na Tyco / Johnson Controls

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