Copa do Mundo 2026 deve gerar R$ 4,32 bilhões ao varejo brasileiro
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Projeção da CNC aponta alta real de 6,5% sobre 2022, com alimentos e bebidas concentrando a maior parte das vendas
A Copa do Mundo de 2026 deve gerar um impacto positivo de R$ 4,32 bilhões no faturamento do comércio varejista brasileiro, representando um aumento real de 6,5% em relação ao resultado registrado há quatro anos, durante a edição de 2022, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Diante do crédito mais caro, a tendência é que as vendas em determinados segmentos reajam de forma desigual, concentrando-se principalmente no consumo imediato de alimentos, bebidas e artigos de menor valor.
A CNC detalha o seguinte desdobramento do faturamento extra de R$ 4,32 bilhões entre as principais atividades do varejo, com hiper e supermercados liderando a lista. O segmento de alimentos e bebidas deve responder por quase 70% das vendas adicionais, totalizando R$ 3,97 bilhões.
“A cada quatro anos, a mobilização em torno do futebol impulsiona especialmente o comércio de eletroeletrônicos, ainda que o poder de compra do consumidor esteja abaixo do esperado. Essa relativa retração tem uma explicação direta: as severas condições de financiamento. Desde setembro de 2025, a economia brasileira enfrenta um dos mais intensos ciclos de aperto monetário dos últimos vinte anos, com juros básicos em patamar superior ao que seria adequado para estimular o crescimento”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Na sequência aparece Vestuário e Acessórios, com faturamento estimado em R$ 803,7 milhões. Depois, Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, categoria que inclui lojas especializadas e a venda de eletroeletrônicos de menor porte, com previsão de R$ 262,6 milhões. Em seguida, Informática e Comunicação, com expectativa de movimentar R$ 198,5 milhões, e Móveis e Eletrodomésticos, com previsão de R$ 80,2 milhões.
Diferentemente dos demais segmentos, o efeito líquido sobre Móveis e Eletrodomésticos ocorre de forma defasada, aparecendo dois meses antes no caso dos móveis e um mês antes para os eletrodomésticos.
Pesquisa, mas não compra
Segundo levantamento realizado pela CNC com base no Google Trends, houve aumento pontual de 8,4% na procura por smart TVs em lojas on-line em maio, na comparação com o mês anterior. Apesar da reação com a proximidade do evento, as buscas pelo produto seguem 15,6% abaixo do nível observado às vésperas da Copa de 2022 e também inferiores aos registrados nos anos de 2014 e 2018.
Um paradoxo econômico deve marcar o comportamento de compra dos brasileiros neste torneio. De acordo com o IPCA-15, houve queda de 18,9% no preço médio dos televisores entre a Copa de 2022 e a deste ano. Ainda assim, o barateamento não tem sido suficiente para estimular a compra ou a troca de aparelhos no varejo.
“O otimismo moderado da CNC para o varejo geral apoia-se em alguns outros números importantes que a PNAD Contínua do IBGE nos mostra: entre o segundo trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação no País recuou substancialmente de 9,3% para 6,1%, enquanto a massa de rendimento médio real avançou 28,8%. Isso e uma inflação menor do que o esperado são um bom sinal para o varejo, compensando essas taxas de juros excessivas”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
Mesmo com o início do processo de flexibilização monetária, as barreiras atuais seguem maiores do que as observadas há quatro anos. A taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, permanece acima do patamar registrado às vésperas do Mundial de 2022, quando estava em 12,75%.
Além disso, o menor estímulo às compras parceladas aparece na taxa média de juros das operações de crédito para pessoas físicas, que hoje supera 61% ao ano. Em meados de 2022, esse indicador estava abaixo de 50% ao ano.
Imagem: Pixabay
Fonte: Mercado e Consumo - https://mercadoeconsumo.com.br/01/06/2026/noticias-varejo/copa-do-mundo-2026-deve-gerar-r-432-bilhoes-ao-varejo-brasileiro/
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