Uma Prevenção Preparada, Treinada e com Apoio da Diretoria: A Melhor Defesa Contra Interdições
- Escrito por Rafael Eduardo
- Publicado em Prevenção de Perdas
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No varejo, ninguém quer ver a cena de uma loja interditada por órgãos fiscalizadores. Além dos prejuízos financeiros e da exposição negativa da marca, o impacto sobre o time de liderança é enorme. Mas o que muitos esquecem é que a melhor maneira de evitar esse tipo de situação não está apenas em “correr atrás do prejuízo”, e sim em construir uma cultura sólida de prevenção de perdas, com pessoas treinadas, processos padronizados e o apoio direto da alta Direção.
Prevenção de Perdas preparada e valorizada pela Direção faz toda a diferença.
1. Treinamento: o primeiro escudo da conformidade
Uma equipe bem treinada sabe o que fazer e, principalmente, o que não pode acontecer.
Procedimentos de recebimento, armazenamento, controle de validade dos produtos, limpeza de câmaras frias, limpeza de áreas internas, salas de manipulação e salão de vendas, controle de resíduos, segurança do trabalho e sistema de combate a incêndios, são pontos que exigem atenção constante.
Quando o colaborador entende o porquê de cada regra, ele deixa de “fazer por obrigação” e passa a agir por consciência e responsabilidade.
Prevenção de perdas não é apenas evitar furtos ou quebras operacionais é também garantir que a operação esteja dentro das normas sanitárias, fiscais e legais.
Treinar é criar multiplicadores de conformidade.
Cada colaborador se torna um elo de proteção que evita erros, multas e desgastes.
2. Processos padronizados: a ponte entre o certo e o seguro
Muitas autuações e interdições não acontecem por má-fé, mas por falta de padrão, em uma rede com várias lojas, cada gestor cria o seu “jeito” de fazer e é aí que surgem os desvios.
A prevenção moderna exige manuais claros, checklists de rotina, auditorias internas regulares e planos de ação acompanhados de perto.
Esses instrumentos garantem que todos falem a mesma língua e mantenham o mesmo nível de execução, mesmo quando muda de gestor.
O checklist, por exemplo, é uma ferramenta simples, mas poderosa: transforma o “achismo” em dado, o improviso em rotina, e a reação em antecipação.
“Quem audita, previne. Quem padroniza, protege”.
3. O papel da diretoria: liderança que patrocina a prevenção
Prevenção sem apoio da diretoria é como uma casa sem alicerce.
Pode até se manter por um tempo, mas cai ao primeiro impacto.
Quando a alta Direção assume a prevenção como valor estratégico e não apenas como custo operacional, toda a cultura da empresa muda.
O discurso deixa de ser “façam porque é norma” e passa a ser “façam porque é o certo, e o certo protege o negócio”.
O apoio da Diretoria se traduz em:
- investimento em infraestrutura e treinamentos contínuos;
- reuniões de alinhamentos semanais com gestor de prevenção;
- reconhecimento de boas práticas e equipes modelo;
- cobrança equilibrada entre resultado e conformidade;
- participação ativa nos comitês estratégicos de prevenção de perdas.
- presença ativa nas reuniões de auditoria e análise de indicadores.
Uma Diretoria que dá voz à prevenção está, na prática, garantindo a longevidade do negócio.
4. Fiscalização: o reflexo do que acontece nos bastidores
Fiscalização não é o inimigo é o espelho. ela mostra exatamente o que a operação tem feito (ou deixado de fazer) nos dias comuns, quando ninguém está olhando.
Empresas com uma cultura madura de prevenção não temem o fiscal; elas o recebem com tranquilidade, porque sabem que cumprem o básico com excelência. em muitos casos, as lojas que passam tranquilamente por inspeções são justamente aquelas em que o departamento de Prevenção de Perdas atua de forma integrada com Qualidade, Segurança, Manutenção e principalmente com a operação da loja. essas áreas não competem entre si se complementam para garantir a legalidade e a eficiência da operação.
5. Cultura de prevenção: o DNA das operações seguras
Prevenção de perdas não se resume a reduzir quebras operacionais, furtos ou desvios. ela é o guarda-chuva cultural que sustenta o cumprimento de normas, o zelo com o patrimônio e o respeito pelo cliente.
Uma loja pode ter câmeras, sistemas e processos, mas se as pessoas não estiverem comprometidas, a prevenção é apenas um papel na parede.
Quando, porém, o colaborador entende que prevenir é proteger o próprio emprego e a imagem da empresa, nasce o famoso e muito usado senso de dono e é aí que as interdições deixam de ser um risco e passam a ser uma exceção.
Conclusão
Uma Prevenção de Perdas preparada, treinada e apoiada pela diretoria é mais do que um setor: é um pilar de sustentabilidade operacional.
Ela garante que cada área da loja do recebimento ao caixa opere dentro da lei, com segurança e eficiência.
Quando o básico é feito com excelência, o fiscal não assusta.
O que assusta é a negligência.
E loja que valoriza a Prevenção, valoriza o futuro.
Rafael Eduardo
Profissional com mais de 18 anos de varejo, com passagens por Carrefour, Frangolândia Supermercados, Supermecados Minibox, Supermercados Compre Certo, Supermercado Aliança, Atacarejo Casa Grande e Super Portugal, cursando MBA em gestão de riscos e prevenção de perdas, ganhador do melhor case de supermecados do Norte Nordeste de prevenção de perdas em 2022, 1º Vice Presidente do Comitê de Prevenção de Perdas da ACESU/ABRAPPE.
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