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Inventário Não Reduz Perdas: Quem Reduz é a Gestão Entre Eles

Destaque Inventário Não Reduz Perdas: Quem Reduz é a Gestão Entre Eles
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No varejo, o inventário ainda ocupa um lugar quase sagrado na gestão de perdas. Para muitos líderes, ele representa controle, segurança e solução. Quando o índice de perdas sobe, a resposta costuma ser imediata: “vamos inventariar com mais frequência”.

Essa lógica, apesar de comum, é perigosa.

Inventário não reduz perdas.
Quem reduz perdas é a gestão que acontece entre um inventário e outro.

O inventário é uma fotografia fiel do estoque em um determinado momento. Ele mostra quanto foi perdido, mas não explica como, onde e por que a perda aconteceu. Muito menos impede que ela continue acontecendo no dia seguinte.

Inventário é Diagnóstico, Não Tratamento

Quando a empresa deposita no inventário a responsabilidade de reduzir perdas, ela comete um erro conceitual grave: confunde medição com gestão.

O inventário serve para:

  • Quantificar perdas
  • Identificar áreas críticas
  • Confirmar falhas de processo
  • Direcionar planos de ação

Mas ele não corrige comportamento, não ajusta processos e não cria disciplina operacional.

Sem gestão estruturada, o inventário vira apenas um ritual caro, trabalhoso e frustrante, que se repete ciclo após ciclo, sempre com resultados parecidos.

O Ciclo da Perda Repetida

Empresas que vivem de inventário em inventário normalmente operam dentro do mesmo ciclo:

  1. A perda cresce silenciosamente
  2. O problema só aparece no inventário
  3. A operação corre para justificar números
  4. Planos de ação genéricos são criados
  5. A rotina não muda
  6. A perda volta a acontecer

Nesse cenário, o inventário não é ferramenta de gestão é apenas o momento em que o prejuízo se torna oficial.

Onde as Perdas Realmente Acontecem

As perdas não nascem no inventário. Elas surgem no dia a dia da operação, especialmente em processos mal controlados, como:

  • Recebimento sem conferência eficaz
  • Armazenagem desorganizada
  • Abastecimento sem padrão
  • Quebras não registradas corretamente
  • Falhas na frente de caixa
  • Ajustes de estoque sem critério

Cada pequena falha, quando não monitorada, se soma a outra. O inventário apenas revela o resultado final dessa soma.

A Verdadeira Redução Acontece Entre Eles

É no intervalo entre os inventários que a prevenção de perdas precisa mostrar seu valor. Esse período exige gestão ativa, baseada em rotina, método e acompanhamento constante.

Reduz perdas quem:

  • Controla processos críticos diariamente
  • Monitora indicadores com frequência
  • Atua rápido sobre desvios
  • Ajusta antes que o erro vire hábito
  • Cobra disciplina operacional da liderança

Gestão entre inventários não é evento. É rotina.

Indicadores: O Termômetro da Gestão

Sem indicadores, a empresa opera no escuro. A gestão entre inventários depende de dados simples, porém bem analisados, como:

  • Índice de perdas por setor
  • Quebras operacionais
  • Divergências de recebimento
  • Ruptura
  • Ajustes manuais de estoque
  • Acurácia

Mais importante do que medir é agir sobre o que os números mostram. Indicador sem análise é apenas estatística.

Prevenção de Perdas Não Pode Ser Reativa

Quando a prevenção atua apenas no inventário, ela chega tarde. Prevenção madura antecipa riscos, protege processos e sustenta resultados.

Isso exige:

  • Presença no chão de loja
  • Atuação integrada com operação
  • Apoio da liderança
  • Rotinas claras de controle
  • Autoridade para ajustar processos

Prevenção que apenas explica números não reduz perdas. Prevenção que atua no processo, sim.

Inventário Como Parte do Ciclo, Não Como Fim

O inventário precisa ser visto como parte de um ciclo contínuo de melhoria. Ele encerra uma etapa e inicia outra.

Sem gestão entre eles, o inventário perde seu propósito estratégico e vira apenas um contador de prejuízos.

Conclusão

Se a sua operação só descobre as perdas no inventário, o problema não está na contagem está na ausência de gestão diária.

Inventário aponta o prejuízo.
Gestão entre inventários impede que ele aconteça.

Reduzir perdas não é contar melhor no fechamento, é controlar melhor todos os dias.

 

Última modificação emSegunda, 22 Dezembro 2025 15:17
Rafael Eduardo

Profissional com mais de 18 anos de varejo, com passagens por Carrefour, Frangolândia Supermercados, Supermecados Minibox, Supermercados Compre Certo, Supermercado Aliança, Atacarejo Casa Grande e Super Portugal, cursando MBA em gestão de riscos e prevenção de perdas, ganhador do melhor case de supermecados do Norte Nordeste de prevenção de perdas em 2022, 1º Vice Presidente do Comitê de Prevenção de Perdas da ACESU/ABRAPPE.
 

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