Inventário Não Reduz Perdas: Quem Reduz é a Gestão Entre Eles
- Escrito por Rafael Eduardo
- Publicado em Prevenção de Perdas
- Lido 158 vezes
- tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte
- Imprimir
No varejo, o inventário ainda ocupa um lugar quase sagrado na gestão de perdas. Para muitos líderes, ele representa controle, segurança e solução. Quando o índice de perdas sobe, a resposta costuma ser imediata: “vamos inventariar com mais frequência”.
Essa lógica, apesar de comum, é perigosa.
Inventário não reduz perdas.
Quem reduz perdas é a gestão que acontece entre um inventário e outro.
O inventário é uma fotografia fiel do estoque em um determinado momento. Ele mostra quanto foi perdido, mas não explica como, onde e por que a perda aconteceu. Muito menos impede que ela continue acontecendo no dia seguinte.
Inventário é Diagnóstico, Não Tratamento
Quando a empresa deposita no inventário a responsabilidade de reduzir perdas, ela comete um erro conceitual grave: confunde medição com gestão.
O inventário serve para:
- Quantificar perdas
- Identificar áreas críticas
- Confirmar falhas de processo
- Direcionar planos de ação
Mas ele não corrige comportamento, não ajusta processos e não cria disciplina operacional.
Sem gestão estruturada, o inventário vira apenas um ritual caro, trabalhoso e frustrante, que se repete ciclo após ciclo, sempre com resultados parecidos.
O Ciclo da Perda Repetida
Empresas que vivem de inventário em inventário normalmente operam dentro do mesmo ciclo:
- A perda cresce silenciosamente
- O problema só aparece no inventário
- A operação corre para justificar números
- Planos de ação genéricos são criados
- A rotina não muda
- A perda volta a acontecer
Nesse cenário, o inventário não é ferramenta de gestão é apenas o momento em que o prejuízo se torna oficial.
Onde as Perdas Realmente Acontecem
As perdas não nascem no inventário. Elas surgem no dia a dia da operação, especialmente em processos mal controlados, como:
- Recebimento sem conferência eficaz
- Armazenagem desorganizada
- Abastecimento sem padrão
- Quebras não registradas corretamente
- Falhas na frente de caixa
- Ajustes de estoque sem critério
Cada pequena falha, quando não monitorada, se soma a outra. O inventário apenas revela o resultado final dessa soma.
A Verdadeira Redução Acontece Entre Eles
É no intervalo entre os inventários que a prevenção de perdas precisa mostrar seu valor. Esse período exige gestão ativa, baseada em rotina, método e acompanhamento constante.
Reduz perdas quem:
- Controla processos críticos diariamente
- Monitora indicadores com frequência
- Atua rápido sobre desvios
- Ajusta antes que o erro vire hábito
- Cobra disciplina operacional da liderança
Gestão entre inventários não é evento. É rotina.
Indicadores: O Termômetro da Gestão
Sem indicadores, a empresa opera no escuro. A gestão entre inventários depende de dados simples, porém bem analisados, como:
- Índice de perdas por setor
- Quebras operacionais
- Divergências de recebimento
- Ruptura
- Ajustes manuais de estoque
- Acurácia
Mais importante do que medir é agir sobre o que os números mostram. Indicador sem análise é apenas estatística.
Prevenção de Perdas Não Pode Ser Reativa
Quando a prevenção atua apenas no inventário, ela chega tarde. Prevenção madura antecipa riscos, protege processos e sustenta resultados.
Isso exige:
- Presença no chão de loja
- Atuação integrada com operação
- Apoio da liderança
- Rotinas claras de controle
- Autoridade para ajustar processos
Prevenção que apenas explica números não reduz perdas. Prevenção que atua no processo, sim.
Inventário Como Parte do Ciclo, Não Como Fim
O inventário precisa ser visto como parte de um ciclo contínuo de melhoria. Ele encerra uma etapa e inicia outra.
Sem gestão entre eles, o inventário perde seu propósito estratégico e vira apenas um contador de prejuízos.
Conclusão
Se a sua operação só descobre as perdas no inventário, o problema não está na contagem está na ausência de gestão diária.
Inventário aponta o prejuízo.
Gestão entre inventários impede que ele aconteça.
Reduzir perdas não é contar melhor no fechamento, é controlar melhor todos os dias.
Rafael Eduardo
Mais recentes de Rafael Eduardo
- A Conta Invisível de Dezembro: Onde as Perdas se Escondem
- Como a Cultura de Disciplina Operacional Reduz as Perdas e Potencializa o Resultado
- Por que a Prevenção de Perdas é o Novo Diferencial Competitivo do Varejo
- Uma Prevenção Preparada, Treinada e com Apoio da Diretoria: A Melhor Defesa Contra Interdições
- Prevenção de Perdas: por que o básico mal feito destrói resultados?