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Varejo alimentar: prevenção de perdas, quebras e desperdício de alimentos. Perspectivas e desafios pós pandemia.

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O varejo alimentar brasileiro evoluiu muito desde o aparecimento do primeiro supermercado! As operações se tornaram mais complexas. As redes cresceram, expandiram e se consolidaram, novos formatos e modelos de negócio surgiram e, em muitos casos, a tecnologia passou a ser o próprio negócio. 
A pandemia acelerou as tendências e a omnicanalidade é uma realidade. Na esteira desta aceleração logo surgirão as inovações e a transformação seguirá. 
A oferta de produtos cresceu de maneira impressionante. Os sortimentos são imensos e dinâmicos. A gestão de categorias ficou mais complexa e a gestão de estoque ficou mais difícil. A adequada disponibilidade dos produtos nas gôndolas passou a ser determinante para o sucesso das operações. 
 
Em paralelo, a grande concorrência levou a uma busca incessante pela oferta de conveniência e comodidade com foco na proximidade e agilidade, proporcionando experiências inovadoras aos clientes, sem fricção!
Programas de fidelização intensos, possibilidades variadas de autoatendimento e pagamento e novas modalidades de compra e entrega facilitaram muito a vida dos consumidores. 
 
A intensidade e a complexidade crescente trazem consigo novas circunstâncias e ocorrências que aumentam os riscos na operação com impactos negativos nos resultados. Fragilidades nos processos, baixa acurácia e precisão no controle das movimentações potencializam as quebras e desperdícios de alimentos assim como as perdas, sejam ou não ocasionadas por atos de má intenção. 
 
Por outro lado, se houve época na qual vivíamos num deserto de dados, atualmente navegamos num imenso lago com uma infinidade de dados facilmente acessáveis o que, em tese, nos permite ter um conhecimento bem mais aprofundado e detalhado das circunstâncias nas quais as operações e as interações se desenvolvem. 
Apesar de toda esta evolução e do contexto atual, seguimos medindo, avaliando e nos referindo às "perdas no varejo” exatamente como o fizemos nos últimos 20 anos. A começar pelo fato de não existir uma definição padrão para as “perdas no varejo” (cada empresa utiliza sua definição de acordo com sua operação, sua experiência, protocolos estabelecidos, relação com fornecedores e conveniência).
 
O que, já há muito tempo, desqualifica os índices apresentados pelas pesquisas de perdas, que não poderiam ser utilizados como referências. Ainda mais se levarmos em conta a pouca atenção dedicada à precisão e acurácia dos registros de controle de estoques. 
O processo de medição e classificação das perdas, atualmente, via de regra considera somente as perdas ocorridas nas lojas e não proporciona a adequada identificação de quando e onde as mesmas ocorreram (ex.: no CDs, no transporte, trocas e devoluções etc.), quem foi o responsável, como se deu a ocorrência e o porquê dela. 
Uma das consequências são os altos índices de “perdas não identificadas” e as estimativas de furtos e fraudes internos e externos que acabam concentrando e restringindo as atenções das equipes de prevenção de perdas e não possibilitam uma ação efetiva para a redução das perdas, quebras e desperdícios. Ou seja, o processo atual “máscara” e “esconde” as perdas reais muitas vezes na margem. 
 
Fica claro que a abordagem para a redução de perdas, quebras e desperdícios de alimentos utilizada no Brasil e na América Latina está defasado pois não acompanhou a evolução do varejo e, já faz algum tempo, não entrega os resultados necessários diante dos desafios e perspectivas que o varejo enfrenta e enfrentará num futuro breve. Na Europa e EUA uma nova abordagem foi construída pelo varejo já faz alguns anos e muitas redes vêm trabalhando duro na sua implantação e evolução com bons resultados. 
 
Uma abordagem renovada e adequada ao mercado brasileiro e latino-americano estaria apoiada em 3 pilares: 
 
  1. Revisão da definição de “perda” (abrangente, flexível e compreensível) a partir da classificação das ocorrências que impactam os resultados em: custos do varejo (ex.: compras de produtos de revenda, de insumos etc), perdas (eventos que impactam negativamente os resultados e podem ser sumariamente eliminadas) e ofensores da margem (eventos que impactam negativamente a rentabilidade e que eventualmente contribuem para a redução de receitas). Ou seja, nem tudo é "perda" e cada tipo de ocorrência deve ter um tratamento específico. 
  2. Criação de nova tipologia (classificação das perdas) estendida e dinâmica de “perdas” (+ de 50 diferentes tipos: identificada, não identificada, com ou sem má intenção): natureza e local de ocorrência (CD, lojas, logística, e-commerce). Esta nova tipologia proporcionaria uma redução drástica dos índices de não identificação e das perdas, quebras e desperdício como um todo. 
  3. Foco na acurácia dos registros de controle de estoques; inventários como ação para incremento de vendas; incremento na identificação das perdas, redução da perda “não identificada”; extinção das “estimativas” e ajustes contábeis na medição. 
Esta abordagem renovada, uma vez implantada, tem o potencial de trazer benefícios importantes com impactos positivos nos resultados além de uma operação mais sustentável. 
 
Os benefícios esperados são os seguintes: 
 
·         Possibilidade de uma melhor gestão da complexidade e amplitude do contexto do varejo (benefício principalmente para pequenos e médios); 
·         Melhoria no entendimento das perdas, quebras e desperdícios e suas causas; 
·         Maior transparência e identificação de responsabilidades; 
·         Melhor utilização da organização de Prevenção de Perdas que atuaria muito mais no suporte às vendas e resultados; 
·         Melhoria no alinhamento da organização e da cadeia como um todo, com impactos positivos na redução do desperdício de alimentos; 
·         Oportunidade renovada de redução das perdas, quebras e desperdício de alimentos nas operações. 
 
Não há mais tempo a perder. Estamos no momento de definir e estruturar esta abordagem renovada! A prevenção de perdas não pode seguir sendo “mais do mesmo”! 
Nos próximos artigos traremos mais detalhes e avançaremos nas definições e nas iniciativas para o desenvolvimento e implantação desta abordagem renovada. 
Além de acompanhar e participar da evolução da prevenção de perdas no varejo no Brasil e América Latina, temos acompanhado a evolução da prevenção de perdas no varejo nos principais mercados globais. 
 
 
Quer conversar e trocar ideias a respeito? Faça contato e venha conhecer como a EAS Soluções e a Casa Causa podem ajudá-lo a enfrentar os desafios e capturar as oportunidades que se colocam à nossa frente. 
 
Obrigado. 
 
Referências: 
Por Adrian Beck, Abril 22, 2019, “Beyond the Usual Inventory Shrinkage Definition: Total Retail Loss”, LP Magazine https://losspreventionmedia.com/beyond-usual-inventory-shrinkagedefinition-total-retail-loss/ 
Última modificação emQuinta, 13 Maio 2021 13:12
Eduardo de Araujo Santos

Fundador e CEO da EAS Serviços em Prevenção de Perdas e Logística  - EAS Prevenção – e Senior Principal da Accenture onde atuou por 14 anos.

Larga experiência em Consultoria de Gestão em empresas de varejo e bens de consumo no Brasil e América Latina no desenvolvimento e revisão de processos operacionais, desenvolvimento de iniciativas para gestão, redução e prevenção de perdas de inventário, desenvolvimento de abordagens analíticas, logística reversa, rastreabilidade de insumos e produtos, gestão de riscos operacionais e segurança química, complementados com um sólido background em finanças.

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