Logo
Imprimir esta página

Prevenção de Perdas: por que o básico mal feito destrói resultados?

Prevenção de Perdas: por que o básico mal feito destrói resultados?
Avalie este item
(0 votos)
No dia a dia da operação no varejo brasileiro, seja no piso de loja, depósito, recebimento de mercadorias ou frente de caixa, o que muitas vezes define a diferença entre uma operação rentável e uma que drena recursos está na execução rigorosa dos fundamentos e boas práticas de prevenção de perdas. Em outras palavras: Na Prevenção de Perdas o básico bem feito é a base para resultados consistentes e quando o básico é mal feito, os resultados inevitavelmente se esfarelam.
 
O que entendemos por “básico”
Por “básico” entendo aquilo que muitos chamam de rotina operacional: compra, receber, conferir, armazenagem, expor, registrar corretamente o estoque, controle de validade, rotação de mercadorias, padronização de processos, execução de checklists, auditorias regulares, inventariar. Não são tarefas “glamourosas” ou inovadoras mas são absolutamente essenciais.
 
Por que o básico mal feito destrói resultados?
1. Acúmulo de pequenas falhas gera grande impacto

Uma falha no recebimento, mercadoria vencida ou danificada entrando sem conferência pode parecer “pequena”, mas se isso se repete em vários setores ou em várias lojas, o prejuízo se multiplica. Estudos apontam que muitos varejistas ainda não atingiram a maturidade de execução nas operações básicas, isso compromete a margem de lucro final da companhia.

2. Desalinhamento entre processo e resultado

Se não existe um processo formalizado, e a equipe não está treinada ou não utiliza os checklists, o que se vê é execução por “achismo”.

3. Rotina mal acompanhada leva à perda de controle

Por exemplo: sem inventários ou auditorias, a rotina “aparente” funciona, mas os desvios se acumulam discretamente sem serem percebidos. Uma empresa que monitora poucos indicadores ou que deixa os controles para “quando der tempo”, está vulnerável.

4. Cultura e disciplina operacionais falham

Mesmo que haja tecnologia, se a equipe não “faz o básico”, a tecnologia não entrega o resultado. A cultura de prevenção de perdas começa pelo básico, padronização, conferência, responsabilização e auditorias. Quando falta isso, a tecnologia vira  “ferramenta subutilizada”.

Exemplos práticos que vemos no dia-a-dia

Um estoque em que mercadorias vencem porque a rotação (PVPS/PEPS) não foi aplicada corretamente; o resultado: perda operacional, que atualmente nos supermercados geram em torno 68%, segundo pesquisa ABRAS. Um salão de vendas com exposição mal organizada, dificultando conferência visual e favorecendo furtos ou extravios, rotina básica de exposição ignorada.

Recebimento sem conferência cega das mercadorias, sem pesagem, resultado: divergências de estoque que irão aparecer no inventário e corroer margens. Falta de auditoria ou checklist diário: a operação “vai funcionando” mas sem verificação ativa, pequenas falhas viram rotina, sem chamarem atenção até que o resultado financeiro mostre o efeito.

O impacto financeiro

No varejo supermercadista brasileiro, nos diversos formatos, segundo pesquisa da ABRAS, o índice médio das perdas, chegam à 1,89 % do faturamento bruto. Quando a execução básica falha, esse percentual pode ser maior e em operações de grande porte, isso significa milhões perdidos. Além disso, perdas operacionais mal controladas impactam margem, lucratividade, credibilidade da operação e capacidade de investimento.

Caminho para reverter essa situação

  1. Mapear e documentar os processos básicos: quais são os passos que devem ser executados no recebimento, no armazenamento, no manuseio, na exposição, no salão de vendas e frente de caixa.
  2. Checklists e rotina diária: criar instrumentos simples (papel, digital ou App) que permitam à equipe seguir o básico todos os dias.
  3. Treinar e reforçar disciplina: realizar sessões de treinamento, reforçar porque cada passo importa, criar cultura de “Prevenção somos todos nós”.
  4. Medir e acompanhar indicadores: percentual de divergência de estoque, percentual de perda operacional, percentual de perda total, índice de perda de produtos vencidos, número de produtos avariados avarias, perdas por furto/roubo, medir para gerenciar.
  5. Auditoria e feedback: auditorias periódicas (surpresa ou programadas) verificam se o básico está sendo cumprido e geram correções rápidas.
  6. Engajamento da liderança: o supervisor, gestor ou diretor precisa estar visível participando das operações básicas, demonstrando que isso importa.

Por que “fazer bem o básico” é um diferencial sustentável

Porque, ao contrário de soluções pontuais ou “modismos tecnológicos”, o básico bem feito sustenta resultados permanentemente. Ele torna a operação mais confiável, evita gastos inesperados, reduz risco, reduz perdas e libera recurso para investir em diferenciação.
Quando o básico é negligenciado, até a melhor tecnologia ou melhor sistema de BI vai “apagar incêndios”, mas não evitar que o fogo comece.

Conclusão

No curso que estou elaborando para a trilha de prevenção de perdas, costumo repetir: não se trata de fazer “muito” ou “complexo” como primeiro passo trata-se de fazer o “básico” de forma eficiente e disciplinada. Pois o básico mal feito, dia após dia, mina os resultados, corrói margem, compromete a operação e torna a área vulnerável.
Se quisermos resultados consistentes, sustentáveis e de impacto real, precisamos olhar para o básico como o alicerce. Porque sem alicerce firme, nada se sustenta.

 
Última modificação emSegunda, 17 Novembro 2025 20:15
Rafael Eduardo

Profissional com mais de 18 anos de varejo, com passagens por Carrefour, Frangolândia Supermercados, Supermecados Minibox, Supermercados Compre Certo, Supermercado Aliança, Atacarejo Casa Grande e Super Portugal, cursando MBA em gestão de riscos e prevenção de perdas, ganhador do melhor case de supermecados do Norte Nordeste de prevenção de perdas em 2022, 1º Vice Presidente do Comitê de Prevenção de Perdas da ACESU/ABRAPPE.